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PET News #9: Congelada no Tempo

Fotografei esta mariposa durante uma das duas visitas semanais que faço ao Núcleo Rural Lago Oeste, próximo a Brasília. Um lugar lindo com uma grande quantidade de animais. Não faz muito tempo eu e minha esposa paramos nosso carro para esperar uma anta atravessar a pista, mas essa é outra história.

CONGELADA NO TEMPO cópia

Então, visitando a casa de amigos no Lago Oeste, encontrei a linda mariposa numa parede. Empolgado, tirei essas fotos e chamei o pessoal para dividir o momento comigo. Foi bem legal, passei várias vezes pelo local para admirá-la. Quatro dias depois retornei ao local e, para minha alegria, lá estava ela. Mas por que ainda estava lá… e exatamente no mesmo lugar?!? Não precisa ser cientista para saber que ela já não estava viva, certo? Mas a esperança é a última que morre. Fui até ela e delicadamente passei um gravetinho, apenas para vê-la voar. Nada!

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Pensei em tirar mais fotos nos dias em que a visito para mostrar como ela recusa-se a se decompor, mas vocês só veriam fotos iguais, pois nada está mudando. A curiosidade, portanto, já me tomava. Esperei mais alguns dias e novamente, lá estava ela, como quem brinca de “quem se mexe primeiro”. Por fim, conversando com a Carol Bernardo (amiga e bióloga), ela colocou um fim ao mistério:

“As características que diferenciam uma borboleta de uma mariposa são: possuir hábitos noturnos – normalmente -, tórax com presença de pelos, pousar com asas abertas e antenas diferenciadas, sendo a grande maioria das espécies com presença de pelos nas antenas. O que faz ela ficar nessa mesma posição, após a sua morte, é a rigidez do exoesqueleto. Todos os artrópodes possuem um esqueleto externo feito de quitina. As borboletas fazem parte da classe dos Insetos, que pertence a ordem dos Artrópodes. Todos os artrópodes quando morrem, endurecem! Mesmo as partes moles de alguns animais, como é o caso do abdome de mariposas, enrijecem, pois o líquido interno para de circular, e com isso a quitina, presente no exoesqueleto endurece. Além disso, a presença de micro pelos nas patas desses animais proporciona fixação ao substrato, que nesse caso é a parede. Assim, esses animais se mantém duros, na mesma posição ao morrerem, até que alguma formiga os encontrem, ou as bactérias comecem o trabalho de decomposição!” 

1 DE MARÇO 02 1 DE MARÇO 01

As duas fotos acima foram tiradas ontem, 1° de março.

Já se passaram cinco semanas desde o início dessa história e até hoje, momento em que aqui escrevo, nada mudou. Ela continua em seu repouso eterno, congelada no tempo, mantendo sua beleza para quem passar pelo corredor. Eu a vejo duas vezes por semana e ficarei feliz em poder admirá-la o quanto puder.

Até a próxima!

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