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PET News #32 – Energia Eólica: coisas que não sabemos.

Achei muito legal esse texto sobre energia eólica de minha amiga e bióloga, Carolina Bernardo. Ao mesmo tempo que é esclarecedor, nos alerta sobre o perigo de informações erradas e que muitas vezes são divulgadas na mídia.

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“Então, estava escutando um programa de rádio, agora na hora do almoço, em que estavam comentando sobre um programa de implementação de painéis fotovoltaicos nos telhados das instituições públicas do DF (ou algo similar, porque peguei a informação principal no final), como uma iniciativa do governador do DF de redução do uso da energia elétrica (hidroelétrica). Os comentários iniciais dos convidados do programa foram: “que legal a iniciativa, bacana!”; “demorou, já que temos um eminência de escassez hídrica”! Até aí, tudo bem!
Só que, começaram a falar de outras fontes energéticas, como a eólica, que já é implantada no Ceará, e que segundo um dos convidados “está dando super certo por lá!”. A outra convidada complementou, então: “Pois é, já estava na hora né, gente? Vamos ter fontes alternativas que agridem menos o meio ambiente! O meio ambiente agradece!”. E continuaram a falar das grandes vantagens de outras fontes energéticas, como a eólica…
A única coisa que veio na minha cabeça nesse momento foi: OI?!

A energia eólica tem tanto (ou mais) impacto quanto a hidroelétrica! O vento é abundante, sim, porém existem impactos sérios, que não são colocados em pauta, ou mesmo, de pouco conhecimento pela grande maioria da população! Para citar dois deles, temos: a poluição sonora, gerada pelas hélices, é altíssima, que ultrapassa o nível do bem-estar, pelo ruído gerado pelo movimento das hélices, que fica no pé do ouvido, 24h por dia, da população que mora próximo às hélices; o segundo impacto é sobre a população de aves marinhas e migratórias, que sofrem redução na população, além de terem comportamentos reprodutivos e alimentares alterados.

O que me impressiona (e indigna um pouco) é a capacidade que as pessoas têm de falar e comentar sobre qualquer coisa, sem ter a informação e/ou o conhecimento sobre o assunto, em uma rádio nacional de alta audiência! O impacto desse tipo de comentário é altíssimo e, infelizmente, a grande maioria da população, que também não tem acesso às informações corretas, e que ouvem rádio para se informar, acreditam nesse tipo de informação e acha que é a correta!

Eu sei que estamos longe de ser um país em que a informação é amplamente e verdadeiramente veiculada para todos! Mas, pessoas que participam de programa de rádio deveriam ter o bom senso de não sair comentando coisas que não sabe muito bem, ou dispõem de pouca informação para afirmar algo de maneira concreta! Sei que aparentemente foi um comentário inofensivo! Só que não foi!

E, cabe a nós, cientistas e educadores, disseminar informações de uma maneira mais palatável e acessível a todos! É nosso dever a divulgação científica de qualidade e de acesso amplo e irrestrito!”

Carolina Bernardo.